29.1.14

Sobre tudo

Todo teu riso está esquecido
Todo teu risco também se faz imlembrado
Que sãs e tristes e alegres que são
As não lembranças de ti
E todo meu esquecimento de ti
Esquecimentos são tão belos quanto as memórias
E tão necessários quanto.

26.1.14

Dentro de mim moram muitos...

Aquela oficina me chegou com nome de residência. Nunca soube ao certo o que, em âmbito profissional, essa palavra queria dizer, já que eu sempre a associava a morada. E eis que, sem consular dicionário, compreendo um pouco melhor seu sentido.
Algumas horas dos nossos dias foram dedicadas para que estivéssemos juntos: eus, tus e ele. O que posso dizer dessa minha compreensão nesses poucos dias é que moramos dentro de nós mesmos um pouco mais e fomos também morada e aconchego para o outro. Fomos casa em reforma: desconstruindo-nos; fomos casa em faxina: lavando-nos; fomos, em cada parte da casa, reconhecendo-'nus', ao olhar o outro e ao olhar do outro. Fomos compartilhando-nus; fomos nus um pouco mais. Nossa casa foi uma solidão desnuda e compartilhada. Dentro de mim moram muitos... além dos eus, os tus e o nós.

25.1.14

Queria te cantar em versos
Bailando as letras pretas sobre o fundo branco
Mas meu traçado é um tanto linear e não-acrobático
Ainda assim desejo
Cantar teu riso, teu corpo e teus "cheiros" bons em mim
Cantar toda a efemeridade da nossa primeira dança
Toda a efemeridade da nossa segunda dança:
vestidos e despidos.
Na verdade, gostaria mesmo de te dançar
mais algumas vezes..



23.1.14

Tantos mares e rios e portos
E onde navegar?
Tantos mares e rios e portos
E onde aportar?
Tantos mares e rios e portos
Mas, onde naufragar?
Tantos mares e rios e portos e portas
Onde adentrar?

20.1.14

Muita coisa não tem me cabido
E, mesmo assim, tenho-me torturado
Torturando-me pelo que não me cabe,
Muita coisa deixará de em mim caber.
Tormentos necessários me virão;
Eu os verei;
Caber-me-ão.