30.5.13

Fé cênica

Essa arma do olhar vigora, demora, convence
Essa arma do olhar atira, fere, abala
Essa arma do olhar é firme
E cá por dentro? Por dentro do olhar?

Como tanta oquidão pode preencher?
Como tanta insegurança pode segurar?
Qual o milagre da transformação?

Da água ao vinho, 
É da transparência que nasce a cor. 

4.5.13

Esculta

Tira essa amargura do peito, menina. Tira essa vontade gritante de ser infeliz, tira todo esse peso, toda essa dor, todo esse desamor, menina. Joga fora os pensamentos sobre o não ser, você é. Você é, não tenha medo de não ser, você é. Seja leve, menina, não te culpes por tua leveza. Às vezes te esqueça, menina, às vezes te esqueça. 
Cresça no seu tempo, menina, mas cresça. Caminhe passinho por passinho, assim mesmo: pequenininho; mas cresça e vá adiante. Vislumbre, menina, vislumbre teu deslumbre, vislumbre. 
Não se guarde, menina, não aguarde a prontidão para despontar, não aguarde a perfeição para praticar. 
Se cante, se beba, se regenere, se gere, se parta sem precisar partir. 
Destrua os muros, menina, que afastam teus abraços, que te encimentam, que te engessam. 
Receba, menina, todo amor que houver nessa vida. 
Se lua, menina, se lua. Se sol, se rio, se ria, se mar. 
Se ame, menina, e comece por se amar nas imperfeições.
Se aperfeiçoe na vida, menina, se seja.